sábado, novembro 25, 2006

Propaganda, consumo, celebridades.
E muita arte pop

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Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, a Pop Art começou a tomar forma no final da década de 1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras. Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. As influências vinham da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.

Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, o movimento operava com signos estéticos massificados da publicidade usando quadrinhos, ilustrações e muita criatividade. Para isso os principais materiais usados eram tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real.
Mas ao mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava. Muitas vezes o sucesso das obras fez aumentar o consumo, como aconteceu por exemplo, com as Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos destaques da Pop Art. Além disso, muito do que era considerado “brega”, virou modav - o movimento proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmistificando a “arte para poucos”, já que se utilizava de objetos próprios delas.
As Estampas de Andy Warhol viraram sucesso e “Marilyn diptych” (Dípico Marlyn) é referencia quando fala-se da Pop Art. O artista, que era fã das celebridades e entendia do caráter transitório da fama, criou a obra unindo várias facetas iguais de Marlyn Monroe. Mas Warhol estava, porém, interessado em passar a idéia da devoção do público americano à celebridade, como um símbolo cultural da época, e retratar uma artista que foi destruída como pessoa pela publicidade. O estilo absolutamente neutro e documental de Warhol reproduz a impessoalidade e o isolamento que caracterizam a fama: no díptico, um mar de rostos – todos parecidos e, ainda assim, sutilmente diferenciados.
A influência deste movimento pop permanece até hoje e reúne artistas de interesse comum pelas artes gráficas, imagens comerciais, técnicas de reprodução e por símbolos que representam a cultura de massa. E o Brasil não podia ficar de fora - a arte encontrou seu maior expoente em Romero Britto, artista caracterizado por imagens alegres e coloridas e, diferentemente de Warhol, suas obras tendenciam ao entretenimento.
Para conferir um pouco sobre a obra de Britto, e a influência da Pop Art, vale a pena visitar a Galeria Romero Britto que fica na Rua Oscar Freire, 562, São Paulo.